{"id":14,"date":"2002-09-07T23:00:37","date_gmt":"2002-09-07T23:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=14"},"modified":"2008-11-18T18:06:13","modified_gmt":"2008-11-18T18:06:13","slug":"07-de-setembro-de-2002","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=14","title":{"rendered":"07 de setembro de 2002"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\">Cari Fratri et Sorores:<br \/>\n93!<br \/>\nComo todos sabem, nos \u00faltimos dias 06, 07 e 08 de setembro, realizamos na Ch\u00e1cara S\u00e3o Roque, atividades pr\u00e1ticas do CIH. Para que sirva de inspira\u00e7\u00e3o a todos os estudantes, coloco abaixo, o meu di\u00e1rio referente a essa atividade, e irei pontu\u00e1-lo com os di\u00e1rios dos Artifex que l\u00e1 estiveram, para que todos tenham uma id\u00e9ia bastante completa do rolou por l\u00e1.<br \/>\nLeiam e aproveitem o que puderem do texto.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\"><br \/>\nAtenciosamente,<br \/>\nFr. Goya<br \/>\n93, 93\/93<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\">O DI\u00c1RIO<br \/>\nCampo Largo, 07 de setembro de 2002 &#8211; S\u00e1bado<br \/>\nIn Sol 15\u00ba16&#8243; Virgem e Lua 28\u00ba42&#8243; Virgem.<br \/>\nDies Saturnii<br \/>\nIn\u00ed\u00adcio do Ritual 23:00.<br \/>\nFinal: 23:32.<br \/>\nNesse fim-de-semana viemos \u00e0  ch\u00e1cara com objetivos bem definidos. H\u00e1 algumas semanas, durante uma reuni\u00e3o, decidimos fazer um encontro para a realiza\u00e7\u00e3o de invoca\u00e7\u00f5es\/evoca\u00e7\u00f5es de elementais. De in\u00ed\u00adcio, pensamos em v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es como Goetia, assun\u00e7\u00e3o de formas divinas e elementais. Depois, ainda levantou-se a hip\u00f3tese de todos poderem participar, mesmo os ne\u00f3fitos.<br \/>\nConversando entre os membros do conselho vimos que n\u00e3o somente era melhor reduzir as pr\u00e1ticas \u00e0s invoca\u00e7\u00f5es de elementais, mas tamb\u00e9m que apenas os membros do grau de artifex fariam tais rituais.<br \/>\nDesse empreendimento participaram os seguintes membros: Goya, Coatlicue, Theophana, Ametista, Thos, Suprema Indagatio, Hilarius e Djehut-ms.<br \/>\nCito agora os temas que foram abordados durante esse fim-de-semana:<br \/>\n-O uso do Tarot como ferramenta m\u00e1gica;<br \/>\n-O mago como medida de todas as coisas;<br \/>\n-Rela\u00e7\u00e3o entre microcosmo\/macrocosmo;<br \/>\n-Confec\u00e7\u00e3o de c\u00edrculos m\u00e1gicos e rituais de prote\u00e7\u00e3o;<br \/>\n-Avalia\u00e7\u00e3o do trabalho sobre tradi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o vou detalhar cada uma das atividades, pois isso tomaria um espa\u00e7o excessivo e desnecess\u00e1rio. Irei direto a  parte da confec\u00e7\u00e3o dos c\u00ed\u00adrculos m\u00e1gicos e do ritual em si, que \u00e9 aquilo que deveria ser anotado em detalhes.<br \/>\nAproximadamente \u00e0s 17:30h, ainda sob a luz do sol, os quatro artifex (Goya, Coatlicue, Theophana e Thos), fizeram o c\u00ed\u00adrculo e o tri\u00e2ngulo usando o cal e as armas m\u00e1gicas para encontrar as medidas corretas.<br \/>\nDepois do jantar, fizemos uma fogueira, onde conversamos sobre fraternidade e tamb\u00e9m ali foram passadas instru\u00e7\u00f5es adicionais sobre as invoca\u00e7\u00f5es e os cuidados necess\u00e1rios. Ainda ao redor do fogo, foi distribu\u00ed\u00addo entre os artifex um pant\u00e1culo onde deveriam desenhar o kerub do elemento a ser invocado.<br \/>\nDo outro lado, o s\u00ed\u00admbolo do CIH como restritor do elemento. Subimos at\u00e9 o local onde seriam feitas as invoca\u00e7\u00f5es. Todos foram instru\u00c3\u00addos para n\u00e3o sa\u00ed\u00adrem dos c\u00ed\u00adrculos at\u00e9 uma ordem minha. Todos levaram suas armas e apostilas para dentro do c\u00ed\u00adrculo.<br \/>\nAntes de come\u00e7ar o ritual individual, dei uma volta ao redor, circunvolucionando com o Sol, usando sinos e afastando qualquer elemento profano que ali houvesse. Depois, o Fr. Djehut-ms fez o Banimento do Pentagrama, o Fr. Thos o Banimento do Hexagrama e a S\u00f3ror Theophana a An\u00e1lise da Palavra Chave.<br \/>\nComo eu estava atento aos outros, para o caso de uma emerg\u00eancia, aguardei todos come\u00e7arem para depois iniciar meu pr\u00f3prio ritual.<br \/>\nDos 4 artifex, 3 escolheram o elemento Ar (Goya, Theophana, Thos) e 1 escolheu o elemento Terra <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\">(Coatlicue). Antes de come\u00e7armos, havia uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com o vento, que poderia fazer voar os Pant\u00e1culos. A bandeira do CIH chegou a cair da \u00e1rvore onde estava presa. Puxei a bandeira para dentro do meu c\u00ed\u00adrculo e a deixei ali. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\">Thos &#8220;{ Quando come\u00c3\u00a7amos, estava muito calmo e consciente. O Marcos fez o Pentagrama, eu o Hexagrama (errei o terceiro, inverti) e a Theophana a An\u00c3\u00a1lise da Palavra Chave.<br \/>\nDepois o Anderson saiu de seu c\u00ed\u00adrculo e come\u00e7ou a bater o sino e a falar: afaste-se o profano. A partir desse momento n\u00e3o senti mais nada fora do meu c\u00ed\u00adrculo, parecia que s\u00f3 existia o espa\u00e7o relacionado ao c\u00ed\u00adrculo, nada acontecia fora dele. Nem me lembrei das outras pessoas que estavam assistindo.}<br \/>\nQuando comecei a minha invoca\u00e7\u00e3o, percebi que o vento havia parado por completo. Nenhuma folha sequer se movia no ch\u00e3o. Os barulhos vindos do mato tamb\u00e9m cessaram. Eu estava tenso, mas segui confiante, pois j\u00e1 fiz esse tipo de ritual outras vezes com bons resultados. Conforme j\u00e1 era esperado, nenhum elemental se manifestou fisicamente no tri\u00e2ngulo (antes que eu esque\u00e7a, devo citar que ao fazer a circunvolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o percebi nenhuma energia estranha ou perigosa no local, o que era muito bom).<br \/>\nDurante a invoca\u00e7\u00e3o, mantive a espada sobre o Pant\u00e1culo, retirando apenas nos momentos indicados no ritual. Tive nesse per\u00ed\u00adodo uma sensa\u00e7\u00e3o bastante interessante. Enquanto mantinha a espada sujeitando o Pant\u00e1culo, v\u00e1rias vezes senti minha m\u00e3o ser repentinamente puxada e virada para cima. Resisti e mantive minha espada com firmeza.<br \/>\nN\u00e3o ordenei ao elemento que se manifestasse naquele momento, mas pedi que durante a noite, o ar se manifestasse para efetivar minha invoca\u00e7\u00e3o. Fiz meu pedido pessoal e encerrei o ritual.<br \/>\nDurante a experi\u00eancia, ao olhar para baixo, via nitidamente o desenho do c\u00ed\u00adrculo, mas o tri\u00e2ngulo havia sumido e o pant\u00e1culo estava vis\u00ed\u00advel, mas era como se estivesse em outra posi\u00e7\u00e3o. Quando iluminava o local para onde estava a espada, ele ali se encontrava, mas quando apagava a lanterna, era como se ele escorregasse para o lado, em diagonal.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\"><br \/>\nTheophana &#8211; {Estava apreensiva, ansiosa, com um pouco de medo de fazer algo errado. Tentei ficar calma, fiz a respira\u00e7\u00e3o em quatro tempos, tendo em mete meu pedido e o que eu ia fazer. Comecei e quanto mais me aproximava do fim do ritual, mais calma ficava (ao menos n\u00e3o sentia mais taquicardia). Fiz o pedido, sabendo da import\u00e2ncia para mim, mas sem saber ao certo as palavras que usar. Achava que o triangulo n\u00e3o estava n\u00ed\u00adtido porque eu estava sem \u00f3culos e com pouca luz. Reparei que n\u00e3o ventava por ali foi um pouco dif\u00ed\u00adcil virar a p\u00e1gina da apostila. Sentia-me observada do lado direito (ne\u00f3fitos) e do esquerdo. N\u00e3o vi nada. Apenas senti a atmosfera diferente. }<br \/>\nThos &#8221; {Quando fiz o pedido e fiquei &#8220;conversando&#8221; com os elementais um cheiro muito podre, bem acido entrou dentro do c\u00edrculo, durou uns 2 segundos e depois veio o cheiro de mata. O engra\u00e7ado \u00e9 que antes disso, como eu falei, n\u00e3o existia floresta e n\u00e3o tinha nem sentido o cheiro de mato, foi como se uma rajada de ar passasse pelo c\u00edrculo uma vez s\u00f3, me fazendo perceber o lugar onde estava. N\u00e3o sei o que falar sobre o cheiro ruim.<br \/>\nQuando comecei a falar para o esp\u00ed\u00adrito se manifesta no tri\u00e2ngulo, senti que aquilo era forte e que ainda n\u00e3o tinha poder para fazer isso. O legal \u00e9 que n\u00e3o conseguia enxergar o tri\u00e2ngulo, a sua marca. Era como se uma fuma\u00e7a transparente estivesse passando por cima dele. Era uma imagem id\u00eantica a da fuma\u00e7a de \u00e1gua quando evapora da chaleira. Sentia um peso, uma forca no tri\u00e2ngulo, mas n\u00e3o vi nada. E ordenei que eles aparecessem no tri\u00e2ngulo umas cinco vezes, depois vi que n\u00e3o ia dar nada e me despedi.<br \/>\nMinha espada quando apontava para o tri\u00e2ngulo estava e ficava cada vez mais pesada como se atra\u00ed\u00adda pelo tri\u00e2ngulo. \u00e0s vezes ela amea\u00e7ava, sutilmente, a virar, levando meu bra\u00e7o junto.}<br \/>\nEnquanto aguardava a S\u00f3ror Coatlicue terminar, comecei a perceber que alguns ru\u00ed\u00addos podiam ser ouvidos. Percebi um mugido afastado de uma vaca. Os c\u00e3es subitamente come\u00e7aram a latir, e havia tamb\u00e9m sons pr\u00f3ximos vindos do mato, como se houvesse uma pessoa circulando ao nosso redor.<\/span><\/p>\n<p>Coatlicue &#8220;{ Tinha uma lanterna em meu pesco\u00e7o, mas n\u00e3o conseguia mant\u00ea-la acesa. Comecei a perceber sombras entre as \u00c1rvores e a n\u00ed\u00adtida sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo observada entre as sombras, todas do meu lado esquerdo, lembrando que eu estava voltada para o Sul, ent\u00e3o todas as sombras estavam no leste. Essas criaturas olhavam com curiosidade. O vento parou totalmente e reinava um sil\u00eancio completo, quebrado apenas por nossas vozes e chamados. Fui a \u00faltima a terminar o ritual, no final do ritual, enquanto o Frater Goya se preparava para circunvolucionar o templo, ouvi um mugido estrangulado de uma vaca ao longe e o port\u00e3o abrindo e fechando (tinha certeza que era o Williams, mas ningu\u00e9m apareceu, e ele j\u00e1 estava dormindo neste hor\u00e1rio). Minha pele estava gelada, mas eu n\u00e3o sentia frio.<br \/>\nCreio que vi salamandras quando est\u00e1vamos ao redor da fogueira, vi fa\u00edscas subindo, e entre elas pequenos riscos com bifurca\u00e7\u00f5es que subiam. Ser\u00e1 viagem minha e desejo de ver, ou realmente aconteceu tudo isso?}<br \/>\nNovamente foram feitos o RMBP, o RMBH, a An\u00e1lise da Palavra Chave. Depois, sa\u00ed\u00ad do meu c\u00ed\u00adrculo circunvolucionando com o Sol, como na abertura. Percebi que em alguns pontos (na figura que desenhei est\u00e3o identificados como sombras) haviam sombras densas, quase f\u00ed\u00adsicas, que se moviam lenta e curiosamente, como se estivessem observando. Continuei a circunvolucionar at\u00e9 o final.<br \/>\nLembro-me agora que num dos pontos, entre eu e o Frater Suprema Indagatio, percebi uma sombra, e que o citado Frater v\u00e1rias vezes ficou olhando para esse mesmo ponto. Estaria ele percebendo algo?<br \/>\nTerminado o ritual, fomos ao chal\u00e9, deixar as coisas para buscar no dia seguinte. O Frater Djehut-ms conversou com todos colhendo depoimentos, que ainda n\u00e3o sei ao todo. Espero que ele envie seu di\u00e1rio de forma bem detalhada. O Frater Hilarius pareceu-me um pouco decepcionado. Qual seria a expectativa dele?<br \/>\nDepois, conversando ao redor da mesa, vimos que v\u00e1rios pontos das narrativas eram comuns. No retorno, antes de atravessar o rio, a sacola da S\u00f3ror Coatlicue se soltou, e o conte\u00fado teve que ser recolhido.<br \/>\nPedi a todos que dormissem aquela noite com o punhal ao lado, para alguma eventualidade. Comentei que \u00e9 comum depois de um ritual desses, alguma coisa estranha acontecer.<br \/>\nSumir algo, achar coisas fora de lugar, etc.<br \/>\nV\u00e1rias vezes perguntei aos participantes se a experi\u00eancia havia valido a pena. Acho que fui bastante insistente, pois o Frater Hilarius disse que eu estava bem preocupado com o feedback. E estava. Depois de um ritual desses, nunca \u00e9 demais perguntar.<br \/>\nA S\u00f3ror Coatlicue percebeu que havia perdido a bainha do punhal. Prometi que a encontraria na manh\u00e3 seguinte, quando fosse buscar o material do chal\u00e9. Come\u00e7ou a ventar mais forte e a esfriar. Na cozinha, o pl\u00e1stico que havia na janela voou e bateu forte na casa. na casa. O Frater Suprema Indagatio fechou a janela.<br \/>\nQuando sentamos ao redor da mesa, a porta da casa, que estava fechada, abriu-se sozinha, e tive que levantar para fech\u00e1-la.<br \/>\nA S\u00f3ror Ametista percebeu o fato. Conversamos ainda bastante sobre diversos assuntos at\u00e9 aproximadamente 03:30h da manh\u00e3.<br \/>\nNo dia seguinte, come\u00e7amos a arrumar as coisas para retornar. Chamei os homens para juntos buscarmos o material l\u00e1 no chal\u00e9. Na passada, procurei a bainha do punhal da S\u00f3ror Coatlicue e n\u00e3o encontrei. Depois, olhando para a encosta, vi a mesma ca\u00ed\u00adda entre a folhagem, distante quase 100 metros de onde deveria estar.<br \/>\nA S\u00f3ror Theophana comentou que dormiu mal, que havia recebido &#8220;visitas&#8221; \u00e0  noite. Aguardo o di\u00e1rio dela para ter os detalhes.<\/p>\n<p>Theophana &#8221; { L\u00e1 pelas 3:00 da manh\u00e3 fui dormir. Ajeitei a cama bem r\u00e1pido, deixei a espada solta da bainha e perto de mim, como foi aconselhado (n\u00e3o sei at\u00e9 aonde tudo o que vou escrever foi indu\u00e7\u00e3o, mas boa ou quase tudo foi sentido e de maneira nada sutil. Fiquei com medo mesmo!). Antes de entrar na casa, enquanto convers\u00e1vamos na varanda reparei alguns dos cachorros sentados olhando para a parte de baixo da varanda. No quarto, s\u00f3 queria saber de dormir, estava com sono e cansada. Adormeci de leve, n\u00e3o lembro de ouvir os fratri que estavam na cozinha irem dormir. Ouvi um pouco de conversa. No escuro, al\u00e9m do frio, fiquei com uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita, de estranheza com o lugar. Por desencargo de consci\u00eancia, decidi fazer o ritual de banimento (mentalmente) e falei baixo &#8220;Afaste-se o profano&#8221;. Lembro de sonhar com uma conversa com o Anderson na cozinha, mas n\u00e3o lembro sobre o que era. A conversa parou, eu tendo vontade de pedir arrego e sair do quarto. Vi deitada sobre a cama, com a m\u00e3o na espada e de repente senti de novo uma &#8220;coisa&#8221; diferente comigo no quarto. Puxei a espada e sentada comecei a golpear o ar que pra minha surpresa oferecia resist\u00eancia. E tive que fazer for\u00e7a para rasg\u00e1-lo. Acordei com taquicardia. A espada estava comigo. E eu com medo. Resolvi fazer de olhos abertos o ritual do banimento bem concentrada (deitada). Quando tracei o terceiro pentagrama (pensando se isso seria valido) ouvi uma voz dizer irritada &#8220;Pare com isso! Ou vai se arrepender&#8221;. Parei um instante e pensei que era burrice.<br \/>\nTerminei o ritual banindo o que fosse que estivesse ali com as frases &#8220;Afaste-se o profano! E Hekas hekas est bebeloi! J\u00e1 irritada. Ordenei que sumisse e me deixasse dormir em paz.<br \/>\nResolvi que precisava dormir e confiar que estava protegida.<br \/>\nTive um sono leve, ouvi gente indo e vindo pela casa. Acordei e vi que estava amanhecendo. Voltei a dormir mais tranq\u00fcila. Quando ouvi a voz da Ruth e da Ana levante rapidinho, coloquei os sapatos e sai do quarto. Dei bom dia \u00e0s duas e fui para o banheiro. Quando sai e vi a Ana meio assim. Perguntei se ela tinha dormido bem, se n\u00e3o tinha sonhado com nada. Ela respondeu que n\u00e3o, mas que tinha visto algo muito estranho naquele momento. Contou que na hora que eu abri a porta do quarto imediatamente a porta da cozinha e do quarto dela tamb\u00e9m se abriu. }<br \/>\nAcho que no geral, tivemos mais resultados do que est\u00e1vamos esperando. No meu ver, foi muito bom. Serviu para inspirar a todos para fazerem mais pr\u00e1ticas. Ainda pretendo aguardar uns dias antes de tentar interpretar tudo isso. N\u00e3o importa se as sensa\u00e7\u00f5es s\u00e3o f\u00ed\u00adsicas ou psicol\u00f3gicas. O que importa \u00e9 o resultado que causam. E nesse ponto, a atividade foi um sucesso. Aguardo os outros di\u00e1rios para comparar e tentar fazer uma vers\u00e3o \u00fanica da hist\u00f3ria toda.<br \/>\nFim.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\"><br \/>\nCari Fratri et Sorores:<br \/>\n93!<br \/>\nA seguir, coloco uma fantasia elaborada em conjunto com os Artifex, no melhor estilo RPG. Espero que se divirtam com as aventuras de nossos membros!<br \/>\nIMPORTANTE: Nada disso aconteceu. \u00e9 uma FANTASIA.<br \/>\nEnjoy it!! Divirtam-se!!!<br \/>\nAtenciosamente,<br \/>\nFr Goya<br \/>\n93, 93\/93<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\"><strong>A Invoca\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Aproximadamente \u00e0s 17:30, ainda sob a luz do sol, os quatro Artifex &#8220;Fr. Goya, Sr. Coatlicue, Sr. Theophana e Fr. Thos &#8221; fizeram o c\u00ed\u00adrculo e o tri\u00e2ngulo usando o cal e as armas m\u00e1gicas para encontrar as medidas corretas. O C\u00ed\u00adrculo da S\u00f3ror Coatlicue ficou t\u00e3o grande que cabia ela, o ego e mais uma legi\u00e3o de quarenta dem\u00f4nios&#8230;Depois, desceram at\u00e9 a casa onde estavam hospedados para jantar e conversar sobre os \u00faltimos detalhes do que seria feito na ocasi\u00e3o.<br \/>\nEnquanto jantavam, sem perceber, a noite se tornou negra. Mais negra do que eles poderiam imaginar&#8230; Quando o jantar acabou, enquanto alguns ainda descansavam para se preparar para o ciclo de invoca\u00e7\u00f5es, Fr. Goya, Fr. Suprema Indagatio e Fr. Thos decidiram ir at\u00e9 o p\u00e9 do morro e fazer uma fogueira para poderem falar sobre as \u00faltimas instru\u00e7\u00f5es antes de come\u00e7arem as atividades.<br \/>\nAo chegarem perto da fogueira que iriam preparar, perceberam que a lenha estava encharcada, pela chuva da noite anterior. Gastaram quase uma caixa de f\u00f3sforos para tentar acender e nada&#8230; O tempo corria agora contra eles, pois ainda deveriam ser passadas algumas instru\u00e7\u00f5es aos Artifex, e sem o fogo, o frio seria insuport\u00e1vel. Fr. Goya pede ent\u00e3o ao Fr. Suprema Indagatio que aproxime a ponta de seu bast\u00e3o do meio da pilha de lenha&#8230;<br \/>\nQuando o Frater aproxima o bast\u00e3o e esse toca a lenha \u00famida&#8230; Surge uma pequena nuvem avermelhada que rodeia sobre si mesma, e quando atinge grande velocidade, explode, acendendo a pilha de madeira. O Fr. Suprema Indagatio cai para tr\u00e1s assustado, deixando cair o bast\u00e3o da m\u00e3o, como se queimasse.<br \/>\nFr. Goya d\u00e1 uma gargalhada alta, e diz:<br \/>\n-U\u00e9, s\u00f3 usei o bast\u00e3o de fogo, n\u00e3o era pra usar?<br \/>\n-N\u00e3o gostei da brincadeira, devia ter avisado. Disse o Fr. Suprema Indagatio.<br \/>\n-N\u00e3o deve ser usado sempre, mas \u00e0s vezes ajuda. No caso, j\u00e1 estamos muito atrasados para prosseguir sem uma ajudinha&#8230;<br \/>\n-Oks, e quando vamos come\u00e7ar? &#8211; Diz Fr. Thos.<br \/>\n-Olhe l\u00e1. &#8211; Disse Fr. Goya apontando para a casa que ficava l\u00e1\u00a1 embaixo, ap\u00f3s o riacho. &#8211; A porta j\u00e1 est\u00e1 abrindo.<br \/>\nA porta da casa se abriu e por ela passaram os outros membros que iriam participar do ritual. Alguns minutos depois, j\u00e1 se ouviam as vozes e a luz de uma lanterna que subia o morro na dire\u00e7\u00e3o da fogueira.<br \/>\nUm a um, todos foram se sentando ao redor do calor, formando uma ferradura, com o Fr. Goya sentado no meio do conjunto. O Fr. Goya lembrou a todos, os tempos primitivos, em que os homens se reuniam ao redor de uma fogueira na noite anterior de qualquer atividade importante para o grupo.<br \/>\nLembrou ainda que naqueles tempos, o fogo era s\u00ed\u00admbolo da uni\u00e3o entre as pessoas, por isso usamos a express\u00e3o &#8220;manter a chama viva&#8221;. Disse tamb\u00e9m que eles aproveitavam esses momentos para relembrar grandes feitos, celebrar e brincar, numa grande comemora\u00e7\u00e3o \u00e0  vida.<br \/>\nUm dos momentos altos dessa ocasi\u00e3o foi quando cada membro que estava ali presente comentou sobre a import\u00e2ncia de estarem ali juntos, ao redor do fogo, e de como tudo isso estava sendo importante para aumentar o sentimento de fraternidade do grupo.<br \/>\nPermaneceram ali por quase uma hora e meia. Depois, foram todos em fila indiana para o local determinado das invoca\u00e7\u00f5es, onde j\u00e1 haviam sido tra\u00e7ados os c\u00ed\u00adrculos m\u00e1gicos.<br \/>\nTinham ouvido not\u00ed\u00adcias que o tempo ia piorar, ficando mais frio, amea\u00e7ando geada. Justo naquele momento, enquanto se dirigiam para os c\u00ed\u00adrculos, perceberam que estava ficando cada vez mais frio, e o vento come\u00e7ava a soprar cada vez mais forte.<br \/>\nSem a lanterna, n\u00e3o enxergavam al\u00e9m de um palmo diante do nariz.<br \/>\nCada passo parecia mais arrastado que o anterior, e parecia que a escurid\u00e3o da noite tomava forma palp\u00e1vel, pesando sobre os ombros de cada um deles. Fracasso n\u00e3o era uma palavra que existisse no dicion\u00e1rio daquelas pessoas. Por mais que o trecho fosse dif\u00ed\u00adcil, n\u00e3o iriam se deixar abater. Eles tinham vindo ali com um prop\u00f3sito, e era isso que iriam fazer.<br \/>\nCom passos lentos, mas decididos, venceram a dist\u00e2ncia at\u00e9 o pequeno chal\u00e9 onde haviam deixado seus objetos m\u00e1gicos e suas t\u00fanicas. Ningu\u00e9m falava nada. Apenas foram pegando seus equipamentos (espada, punhal, bast\u00e3o, etc&#8230;) e vestiram a T\u00fanica Negra do Adepto.<br \/>\nO frio que fazia naquele momento j\u00e1 era suficiente pra desanimar qualquer um. Mas eles tinham ido ali com um prop\u00f3sito bem definido, e nada poderia tir\u00e1-los dali agora.<br \/>\nLevaram suas respectivas armas a seus c\u00ed\u00adrculos e come\u00e7aram a preparar tudo. O lampi\u00e3o foi colocado no meio da figura formada pelo conjunto de c\u00ed\u00adrculos. Cada um dos Artifex estava voltado para fora do centro, e apenas Fr. Goya ficou voltado para dentro, de forma que se houvesse alguma emerg\u00eancia ele poderia intervir antes que qualquer um se machucasse.<br \/>\nInvoca\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o as coisas mais felizes para se fazer como primeiro ritual. Na maioria dos casos, nada acontece, ou se acontece, n\u00e3o \u00e9 aquilo que o Mago aprendiz havia pedido. Muitas s\u00e3o as dificuldades, e nesse grupo, a maioria estava em treinamento.<br \/>\nO vento agora aumenta sensivelmente. N\u00e3o \u00e9 que ventasse mais forte, mas parecia que o frio passava pelas roupas. Perto do ch\u00e3o ele corria ligeiro, e parecia que os pant\u00e1culos com os s\u00ed\u00admbolos dos elementos n\u00e3o iriam parar dentro do tri\u00e2ngulo, a n\u00e3o ser que fossem afixados no solo. S\u00f3ror Theophana olhou rapidamente ao redor, verificando se o c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico ainda era mantido apesar do vento. Todos seguiram seu exemplo, mas mesmo com todo o vento, o c\u00ed\u00adrculo se mantinha firme, como se j\u00e1 tivesse se fixado no solo, por alguma for\u00e7a sobrenatural.<br \/>\nDepois que todo material estava dentro do c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico, e todos os Artifex estarem devidamente posicionados, Frater Goya pediu que os assistentes realizassem os rituais de purifica\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o do local. Ele mesmo saiu de seu c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico, e circunvolucionando com o sol, ordenou que todas as energias profanas que ali estivessem, que agora se afastassem, dando lugar \u00e0  divindade. Com o sino numa das m\u00e3os, a espada na outra, permitiu que se abrisse ali um portal dimensional. Pois, &#8220;quando um sino bate, o universo p\u00e1ra, para que o Mago ordene&#8221;. E ele ordenou. Naquele instante preciso, tudo congelou. O pr\u00f3prio ar, parecia ter ficado diferente.<br \/>\nVoltando ao seu lugar no c\u00ed\u00adrculo confeccionado por ele mesmo, segundo as medidas dadas pela tradi\u00e7\u00e3o, ordenou que os assistentes fizessem sua parte.<br \/>\nFrater Djehut-ms levantou-se, avan\u00e7ou com o Sinal do que Entra, e realizou o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama, eliminando as for\u00e7as elementares. Frater Thos, por sua vez, realizou o Ritual Menor de Banimento do Hexagrama, afastando as criaturas que pudessem estar ali presentes. S\u00f3ror Theophana em seu turno realizou a An\u00e1lise da Palavra Chave, trazendo ao local a Luz Divina. O ritual havia come\u00e7ado.<br \/>\nCada Artifex havia escolhido um elemento a ser invocado, e naquele momento, qualquer um que houvesse passado por ali inadvertidamente, teria ouvido o murm\u00fario de muitas vozes.<br \/>\nVozes que nem sempre pareciam revelar palavras, mas uma doce can\u00e7\u00e3o, como a fala das \u00e1rvores, que \u00e9 conhecida por C\u00ed\u00adrculo Inici\u00e1tico de Hermes aqueles que tem os ouvidos despertos.<br \/>\nAlgo ainda assim podia ser distinguido, e era parecido com isto: &#8221; Estabilidade e Movimento! &#8221; Escurid\u00e3o velada em Brilho! &#8221; dia vestido de Noite! &#8221; Testemunha Prateada &#8221; Esplendor Dourado!&#8230;&#8221; Ou ainda, &#8220;Esp\u00ed\u00adrito da Vida! Esp\u00ed\u00adrito da Sabedoria! De quem procede ao alento da inspira\u00e7\u00e3o e da expira\u00e7\u00e3o que formam todas as coisas&#8230;&#8221;<br \/>\nEra noite de lua nova, e a escurid\u00c3\u00a3o era ainda maior. Parecia que ao redor deles se formava uma densa cobertura de trevas. Quase n\u00e3o se conseguia distinguir o recorte das \u00e1rvores contra o c\u00e9u, salpicado por estrelas que refletem a luz da divindade. De repente, sem aviso ou decr\u00e9cimo, apenas como uma ruptura brusca, e todos os sons calaram. Os c\u00e3es, que antes ladravam, emudeceram. A mata, antes com sons bem marcados, tamb\u00e9m silenciara. Quando fixou o olhar sobre o pant\u00e1culo dentro do tri\u00e2ngulo, para fazer as invoca\u00e7\u00f5es, Frater Goya percebeu que o vento tamb\u00e9m havia parado. Apesar de haverem come\u00e7ado praticamente ao mesmo tempo, alguns j\u00e1 iam adiantados no ritual, e outros mais lentamente. Podia-se ouvir o chamado para a manifesta\u00e7\u00e3o do elemental, feita pelo Frater Thos, e tamb\u00e9m a invoca\u00e7\u00e3o da S\u00f3ror Coatlicue, que preenchia o vazio daquela noite.<br \/>\nCada ritual \u00e9 \u00fanico, assim como cada realidade \u00e9 \u00fanica. Apesar de serem antigas f\u00f3rmulas, cada uma delas produz um resultado sem par. Por isso a magia n\u00e3o pode ser medida. N\u00e3o pode ser aceita ou negada, a n\u00e3o ser pelo pr\u00f3prio mago. E quem, depois de haver encontrado Anjos e Dem\u00f4nios, ousaria negar a experi\u00eancia? Negar seria negar a si mesmo, negar o Criador e a Criatura. \u00c9 a pior das mentiras. Mentir a si mesmo.<br \/>\nFrater Thos sentia a m\u00e3o pesada pelo peso da espada que tentava subjugar a criatura invocada pelo pant\u00e1culo. Por vezes, parecia que a m\u00e3o queria mover-se sozinha, afastando a espada de seu alvo. Mantendo a m\u00e3o e a vontade im\u00f3veis, conseguiu sobrepor seu desejo ao do elemento.<br \/>\nS\u00f3ror Coatlicue olhava agora para o tri\u00e2ngulo onde estava o Pant\u00e1culo. Por um instante duvidou. Ao olhar para a figura desenhada no ch\u00e3o, parecia que esta n\u00e3o estava mais ali. Olhou para o c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico, e este parecia emitir uma leve luz violeta azulada, destacando-se na escurid\u00e3o. Estaria imaginando? Seria um truque do inconsciente?<br \/>\nN\u00e3o existe outra realidade, a n\u00e3o ser aquela que moldamos durante toda a vida. A vida \u00e9 como a runa em branco.<br \/>\nDeve ser escrita durante a exist\u00eancia. Ela nunca est\u00e1 acabada, pois o final da pintura \u00e9 a morte. Cada pessoa possui uma realidade, \u00fanica e intransfer\u00ed\u00advel. Dizem que se algu\u00e9m tentar pensar como outra pessoa enlouquece. Isso reflete a verdade que o homem \u00e9 a medida de todas as coisas, o centro da paisagem observada. O c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico, desenhado no ch\u00e3o, representa a no\u00e7\u00e3o dessa realidade e seu limite. Num determinado momento, ap\u00f3s fazer a circunvolu\u00e7\u00e3o dentro do c\u00ed\u00adrculo m\u00e1gico, Frater Goya percebeu que um dos Ne\u00f3fitos, Frater Suprema Indagatio, tinha o olhar distante, perdido dentro da noite na floresta. Imediatamente, dentro do c\u00ed\u00adrculo, voltou-se para a mesma dire\u00e7\u00e3o onde o Ne\u00f3fito estava olhando&#8230; Uma sombra parecia estar im\u00f3vel, observando curiosa a atividade do grupo. Moveu-se.<br \/>\nFrater Goya acompanhou a figura com o olhar, e depois, rapidamente, procurou ao redor outras manifesta\u00e7\u00f5es. Percebeu que no centro do grupo, no espa\u00e7o que havia livre entre os c\u00ed\u00adrculos, havia uma densa nuvem negra, que obstru\u00ed\u00ada a vis\u00e3o.<br \/>\nPreocupou-se. Algo estava acontecendo. Usando a vis\u00e3o espiritual, perscrutou a escurid\u00e3o, verificando se outros haviam percebido algo. Todos continuavam normalmente, ignorantes do perigo ao redor. Mas Frater Goya sabia que a f\u00faria havia sido despertada.<br \/>\nRepentinamente, um vento rasteiro surgiu, formando redemoinhos de folhas \u00famidas e pequenos peda\u00e7os de graveto em v\u00e1rios pontos. Os 3 Ne\u00f3fitos que estavam num mesmo c\u00ed\u00adrculo, pareciam im\u00f3veis, como se estivessem num sonho de olhos abertos&#8230; Frater Suprema Indagatio tamb\u00e9m voltou-se para o centro, mas com o mesmo olhar distante e vazio. Ent\u00e3o, erguendo-se do ch\u00e3o da mata, surge a primeira criatura. Um ser formado pelas folhas que volteavam sobre si mesmas, e com altura semelhante a um homem, mas sem fei\u00e7\u00e3o definida.<br \/>\nImediatamente Frater Goya ergueu sua espada e partiu do c\u00ed\u00adrculo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0  criatura. Come\u00e7ara o ataque. H a v i a alguns dias que souberam dos dist\u00farbios causados pelo inimigo, mas Frater Goya n\u00e3o acreditava que eles iriam atacar ali. Tinha se enganado.<br \/>\nA criatura avan\u00e7ou, e Frater Goya investiu, partindo-a \u00e9 como se fosse poss\u00ed\u00advel dividir o ar \u00e9 pelo meio, e a criatura se desmanchou. Do ch\u00e3o, diante dele, ergueram-se mais 3 figuras fant\u00e1sticas. Ent\u00e3o, lan\u00e7ou sobre elas um pentagrama flamejante de exorcismo, e as figuras se desmancharam como p\u00f3 sobre p\u00f3. Agora, parecia ter come\u00e7ado realmente um ataque das for\u00e7as sombrias. Todos os Artifex interromperam seus trabalhos e voltaram-se para a cena das batalhas.<br \/>\nGirando sobre si mesmo, Frater Goya ainda abateu outras criaturas, e gritando, disse:<br \/>\n&#8211; N\u00e3o saiam do c\u00ed\u00adrculo!<br \/>\nAgora, mais criaturas surgiam por todas as partes, inclusive ao redor dos c\u00ed\u00adrculos. Sombras que estavam ocultas sa\u00ed\u00adram detr\u00e1s das \u00e1rvores e se lan\u00e7aram tamb\u00e9m ao ataque. Frater Goya gritou novamente:<br \/>\n&#8211; Fa\u00e7am o banimento!<br \/>\nCada um dos Artifex, e tamb\u00e9m dos Ne\u00f3fitos, recitaram as f\u00f3rmulas e fizeram os sinais. Na noite ecoou um grande clamor, e os esp\u00edritos ca\u00ed\u00adram.<br \/>\nAntes, por\u00e9m, que se recobrasse a tranq\u00fcilidade, um grande rugido se ouviu. De velhas e grandes \u00e1rvores ao redor, sa\u00ed\u00adram quatro grandes potestades. Cada uma delas com suas respectivas legi\u00f5es. A terra tremeu.<br \/>\nFrater Goya por um instante hesitou. Poderia vencer sozinho essa batalha? Agora, a floresta inteira parecia arder numa chama incomum, que n\u00e3o queima, mas fere o esp\u00c3\u00adrito.<br \/>\nAgora, os olhos n\u00e3o seriam de nenhuma valia, pois nada parecia ser mais real. As \u00e1rvores agitavam-se, dobrando-se sobre o grupo, como se desejando aprisiona-los. Frater Goya percebeu que era hora dos Artifex provarem seu valor. Enquanto tra\u00e7ava um novo c\u00ed\u00adrculo com a ponta da espada, falou:<br \/>\n-Ne\u00f3fitos! Continuem com os Banimentos. Usem os Hexagramas! Frater Thos, saia de seu c\u00ed\u00adrculo e venha ao meu lado! Cubra-se com a capa! S\u00f3ror Colatlicue e Theophana usem suas armas!<br \/>\nOs Ne\u00f3fitos realizaram com mestria o ritual. Naquela atmosfera de pesadelo, os Hexagramas brilhavam enquanto literalmente desintegravam as criaturas pr\u00f3ximas. Frater Goya colocou-se de costas para o Frater Thos, que brandia seu punhal. Frater Goya correu a l\u00e2mina da espada com os dedos, fazendo uma invoca\u00e7\u00e3o, e a arma come\u00e7ou a flamejar. Frater Thos repetiu o gesto, e o punhal tornou-se luminoso, com uma chama branca transl\u00facida.<br \/>\nAgora, a luta seria diferente. A cada golpe desferido por ambos, mais criaturas caiam ao ch\u00e3o, ou se desvaneciam sob o golpe da arma.<br \/>\nS\u00f3ror Coatlicue ergueu o bast\u00e3o ao alto, enquanto pronunciava uma invoca\u00e7\u00e3o B\u00e1rbara. Seu bast\u00e3o inflamou-se na ponta, com uma chama fria, azulada. S\u00f3ror Theophana ergueu seu pant\u00e1culo e tamb\u00e9m invocou, no que este se tornou v\u00ed\u00adtreo, como o mais puro cristal.<br \/>\nNesse instante, as criaturas mais pr\u00f3ximas cederam espa\u00e7o e se afastaram. Pulando e se escondendo em sombras, foram recuando. Os Ne\u00f3fitos tamb\u00e9m ganharam mais mobilidade, pois os Hexagramas iluminavam qual estrelas ao redor de seu c\u00ed\u00adrculo, que tamb\u00e9m brilhava intensamente.<br \/>\nAs legi\u00f5es foram diminuindo em tamanho e for\u00e7a, pois a cada golpe desferido, sua energia passava \u00e0s armas que as absorvia. Os c\u00e3es latiam freneticamente \u00e0  dist\u00e2ncia. Todos os animais se despertaram, e a floresta ficara inquieta.<br \/>\nFrater Goya e Frater Thos, ainda pr\u00f3ximos e de costas um para o outro, desferiam golpes certeiros que rasgavam as criaturas e as desmanchavam. Frater Thos teve o bra\u00e7o atingido por um dos dem\u00f4nios com cara de c\u00e3o, mas n\u00e3o era hora de parar. O ferimento era negro e parecia corroer as entranhas de Thos. Ainda assim, ele ergueu seu punhal e desfez a criatura.<br \/>\nTrataria depois de si mesmo.<br \/>\nFrater Goya quase iluminava ao redor, t\u00e3o r\u00e1pidos eram os movimentos com a espada flamejante. Na noite, parecia uma imensa leminiscata desenhada com fogo, que afastava e derrotava as criaturas. Um dos dem\u00f4nios atirou-se sobre ele, mas o manto crepitou e a figura tombou. No alto das \u00e1rvores, milhares de olhos observavam.<br \/>\nDepois de um combate sem tr\u00e9guas, restavam ainda as quatro potestades. A cena era a seguinte: S\u00f3ror Theophana e Coatlicue, cada uma em seu c\u00edrculo, com suas armas em riste.<br \/>\nFrater Goya e Frater Thos, agora, lado a lado, tamb\u00e9m preparados. Falou uma voz sem palavras:<br \/>\n-E ent\u00e3o Frater Goya, achava que tiv\u00e9ssemos nos esquecido?<br \/>\n-N\u00e3o. Justamente por sua recorda\u00e7\u00e3o, achei que n\u00e3o viessem mais aqui. N\u00e3o aprenderam o  suficiente?<br \/>\n-Idiota! &#8211; esbravejou outra voz &#8211; Estamos aqui h\u00e1 muito tempo. Quem voc\u00ea acha que \u00e9, para nos expulsar?<br \/>\n&#8211; E desde quando voc\u00eas pertencem a algum lugar, que n\u00e3o seja a pris\u00e3o onde vivem?<br \/>\n-Insolente! &#8211; disse o primeiro &#8211; Somos os Antigos, e nada pode nos deter, nem cela, nem paredes, nem coisa alguma.<br \/>\n-Mas n\u00e3o podem quebrar seu juramento. &#8211; disse Frater Goya &#8211; Na primeira vez que os derrotei, haviam jurado n\u00e3o voltar.<br \/>\n-E n\u00e3o voltamos, disse um terceiro. N\u00e3o queremos voc\u00ea. Mas a corja que o acompanha.<br \/>\n-De quem voc\u00ea fala cretino? &#8211; Esbravejou Frater Thos.<br \/>\n-Tola crian\u00e7a&#8230; Acha que tem autoridade para nos enfrentar?<br \/>\n-Pois pelo poder que estou investido, dou a eles o poder de enfrentarem a voc\u00eas.<br \/>\n-Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer isso! &#8211; Disse o primeiro.<br \/>\n-N\u00e3o posso? J\u00e1 fiz. Ou acha que teria trazido-os aqui despreparados?<br \/>\n-N\u00e3o nos desafie! &#8211; Disse aquele que estava quieto at\u00e9 ent\u00e3o.<br \/>\n-Ol sonf vorsag, goho iad balt, lonsh calz vonpho. Sobra z-ol ror I ta nazps; Od graa ta malprg, qaa nothoa, od commah (1)!<br \/>\nOs dem\u00f4nios n\u00e3o haviam percebido, mas agora os Artifex haviam se formado em c\u00ed\u00adrculo ao seu redor. Na discuss\u00e3o as criaturas se deixaram ficar entre eles. Ao sinal dado pelo Frater Goya, S\u00f3ror Theophana lan\u00e7ou seu pant\u00e2culo no meio das figuras e este ficou em p\u00e9, brilhando intensamente. Frater Goya retirou sua t\u00fanica e jogou sobre eles. A t\u00fanica pareceu aumentar de tamanho, at\u00e9 conseguir se estender por sobre as figuras e as envolver, caindo no ch\u00e3o, sobre o pant\u00e1culo em seguida.<br \/>\nQuando o pano foi retirado, nada mais havia ali. Apenas o pant\u00e1culo agora ca\u00ed\u00addo no ch\u00e3o.<br \/>\nFrater Thos se aproximou para pegar o pant\u00e1culo, e olhou ao Frater Goya, como se pedindo permiss\u00e3o, que o mesmo consentiu com a cabe\u00e7a. Ao erguer perto da vista o objeto, todos os s\u00ed\u00admbolos que ali haviam tinham sumido. De cada lado do disco, quatro figuras horrendas com as bocas hediondas abertas num desespero mudo. O disco passou por todos, e por fim, Frater Goya explicou:<br \/>\n-J\u00e1 havia os encontrado numa outra ocasi\u00e3o, e eles estavam despreparados. Pensei que uma vez subjugados eles nunca mais retornariam. Mas por hoje, vi que mesmo dominados, eles podem tentar reivindicar sua f\u00faria novamente.<br \/>\n-Quando voc\u00ea os encontrou? &#8211; Perguntou Soror Coatlicue.<br \/>\n-No ritual de Abra-Melin. Mas isso foi h\u00e1 muito tempo.<br \/>\n-E por que voltaram? Eles podem quebrar um juramento? &#8211; perguntou Frater Suprema Indagatio.<br \/>\n-Eles queriam que os libertasse, e tentaram leva-los com eles.<br \/>\n-Porque levar? O que eles viram em n\u00f3s? &#8211; Perguntou Frater Thos.<br \/>\n-O ser humano \u00e9 feito de luz. E durante o ritual, foram atra\u00ed\u00addos pela luz que emanava do nosso grupo, como mariposas s\u00e3o atra\u00ed\u00addas por uma fogueira. Diante de tal brilho, ficaram cegos e resolveram arriscar. A tenta\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o forte que esqueceram at\u00e9 mesmo do juramento.<br \/>\n-O que acontece agora com eles? &#8211; Perguntou Frater Hilarus.<br \/>\n-Ficam presos aqui nesse pant\u00e1culo at\u00e9 que eu os liberte, quebrando o disco.<br \/>\n-E voc\u00ea vai solt\u00e1-los? &#8211; Perguntou S\u00f3ror Ametista, meio ressabiada.<br \/>\n-Quem sabe. Vou mant\u00ea-los aqui para lembrarem do seu juramento. Mas como mago, n\u00e3o posso prende-los para sempre.<br \/>\n-Por que n\u00e3o? Eles n\u00e3o s\u00e3o maus? &#8211; disse S\u00f3ror Coatlicue.<br \/>\n-N\u00e3o. S\u00e3o for\u00e7as cegas. Eles agem por instinto e n\u00e3o por emo\u00e7\u00f5es ou pela raz\u00e3o. \u00c9 sua natureza. E n\u00e3o posso mant\u00ea-los eternamente, pois eles fazem parte da natureza. E tem responsabilidades a cumprir. Mas posso segurar um pouco isso, s\u00f3 pra eles n\u00e3o se esquecerem novamente.<br \/>\n-E se esquecerem novamente? &#8211; Perguntou Frater Thos.<br \/>\n-N\u00e3o se esque\u00e7am o que \u00e9 o Ritual de Abra-Melin. Se houvesse algum risco maior, ou se isso se repetir, o Anjo Guardi\u00e3o poderia intervir, e o resultado seria preocupante.<br \/>\n-O que aconteceria?<br \/>\n-Eles seriam destru\u00ed\u00addos e outros tomariam seu lugar.<br \/>\nDeixariam de existir para sempre, como \u00e9 dito no cap\u00ed\u00adtulo 28 de Ezequiel. Serviriam de exemplo. Mas eles n\u00e3o se arriscariam tanto.<br \/>\n-Mas e nosso ritual? E agora? Teremos que recome\u00e7ar tudo de novo? &#8211; Perguntou S\u00f3ror Theophana.<br \/>\n-O qu\u00ea? E come\u00e7ar outra guerra? &#8211; brinca Frater Thos.<br \/>\n-Mas eu n\u00e3o achei que deu certo minha invoca\u00e7\u00e3o. &#8211; brincou ela.<br \/>\n-E voc\u00ea tem alguma d\u00favida? Mais que uma invoca\u00e7\u00e3o, voc\u00eas despertaram poderes da natureza, e tiveram que lutar por isso. Ainda bem que estavam bem preparados. Agora invocar novamente, fica para uma outra. Por hoje, \u00e9 hora de descansar.<br \/>\nTodos riram muito e concordaram com Frater Goya, retornando a casa onde estavam hospedados. Ningu\u00e9m dormiu mais aquela noite. Beberam vinho, comeram p\u00e3o e ficaram falando sobre as quest\u00f5es que envolvem esse tipo de pr\u00e1tica.<br \/>\nDepois daquela aventura, todos viram a import\u00e2ncia de ter tranq\u00fcilidade e for\u00e7a para poder realizar um ritual desses. S\u00f3ror Ametista cuidou da ferida de Frater Thos, que curou-se rapidamente, pois a magia que a provocara havia sido contida.<br \/>\nO negrume se transformou em noite calma, e as estrelas C\u00ed\u00adrculo Inici\u00e1tico de Hermes cintilavam como nunca, celebrando essa vit\u00f3ria do grupo&#8230;<br \/>\nFim do Conto.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 85%; font-family: verdana;\"><br \/>\n<em>(Footnotes)<br \/>\n<\/em>1 Eu reino sobre v\u00f3s, disse o Deus de Justi\u00e7a. Em poder exaltado sobre o Firmamento da Ira; em cujas m\u00e3os o Sol \u00e9 como uma Espada e a Lua como um fogo acometedor, o que mede vossas prendas no meio de minhas vestimentas, e prendeu-os juntos. &#8211; Chamada Enochiana.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cari Fratri et Sorores: 93! Como todos sabem, nos \u00faltimos dias 06, 07 e 08 de setembro, realizamos na Ch\u00e1cara S\u00e3o Roque, atividades pr\u00e1ticas do CIH. Para que sirva de inspira\u00e7\u00e3o a todos os estudantes, coloco abaixo, o meu di\u00e1rio referente a essa atividade, e irei pontu\u00e1-lo com os di\u00e1rios dos Artifex que l\u00e1 estiveram, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[8,9,11,10],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14"}],"collection":[{"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14\/revisions\/29"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}