{"id":190,"date":"2010-12-11T00:30:30","date_gmt":"2010-12-11T03:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=190"},"modified":"2010-12-11T00:30:30","modified_gmt":"2010-12-11T03:30:30","slug":"a-magia-nao-e-um-caminho-facil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=190","title":{"rendered":"A Magia n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<p>Em se tratando de magia, n\u00e3o existem caminhos f\u00e1ceis. As ben\u00e7\u00e3os nem sempre s\u00e3o proporcionais \u00e0s ord\u00e1lias. Isso ocorre pq o tapa marca mais que o beijo.<br \/>\nExistem aqueles que tentam desmistificar a magia, tratando-a como artigo de beleza, como uma roupa ou maquiagem que torna a realidade algo mais agrad\u00e1vel \u00e0 vista humana do que a aspereza do terreno realmente faz sentir. No entanto, magia n\u00e3o \u00e9 algo a ser comprado, vestido ou maquiado. Infelizmente, mais do que fazer o caminho menos pedregoso ao caminhante, essas pessoas apenas desviam o estudante daquilo que \u00e9 s\u00e9rio, daquilo que \u00e9 vivido e que marca n\u00e3o apenas a carne, mas marca o esp\u00edrito com cicatrizes espirituais.<br \/>\nTratamos extensamente desses temas nos CODEX 06 &#8211; Como se estuda Magia, e no CODEX 13 &#8211; O Mapa da Consci\u00eancia. H\u00e1 o caminho da Espada e h\u00e1 o caminho da Serpente. Ao primeiro, completa o segundo. N\u00e3o como anteposi\u00e7\u00e3o, mas como aprofundamento e complemento. O primeiro \u00e9 caracter\u00edstico do come\u00e7o da jornada, onde a curiosidade impulsiona a caminhada. Os passos s\u00e3o vascilantes, mas os passos s\u00e3o largos e descuidados, o que provoca muitas quedas pelo caminho. O segundo, \u00e9 caracterizado pela disciplina e pela sele\u00e7\u00e3o criteriosa daquilo que se estuda e se pratica.<br \/>\nA magia ocidental se caracterizou a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, pelo magista de gabinete ou de escrit\u00f3rio. Leitores de livros de magia que iluminados por fraca luz pavoneiam pelo mundo fazendo caras e bocas, como se fossem grandes magistas, capazes de dobrar a realidade segundo seus interesses, mas n\u00e3o passando de grandes charlat\u00e3es que nada fazem alem de falar e falar.<br \/>\nThoth (Djehut) \u00e9 a vers\u00e3o eg\u00edpcia que deu origem ao Hermes grego e ao Merc\u00fario romano. Era sempre acompanhado por um babu\u00edno que era o encarregado de levar seus ensinamentos aos homens. Thoth era um deus psicopompo, ou seja, um condutor de almas. Quando o babu\u00edno transmitia o conhecimento aos homens, sempre invertia ou corrompia as informa\u00e7\u00f5es para confundir o ser humano na sua jornada com a desculpa de que se o magista fosse merecedor, seria capaz de separar o joio do trigo. Devido a esse aspecto (bem ilustrado no Arcano I &#8211; O Mago do Tarot de Thoth ou Tarot de Crowley), entre os gregos Hermes era ao mesmo tempo o mensageiro dos deuses, dos mentirosos e dos ladr\u00f5es. Por isso em alguns tarots, a carta recebe o nome de &#8220;pretididigator&#8221; ou &#8220;embusteiro\/enganador&#8221;. E entre os gregos tamb\u00e9m desaparece a figura do babu\u00edno, deixando a separa\u00e7\u00e3o entre o condutor de almas e o enganador mais t\u00eanue e dif\u00edcil de compreender.<br \/>\nEliphas Levi no seu livro &#8220;Dogma e Ritual da Alta Magia&#8221; (ed. Pensamento, p\u00e1g.77) nos alerta: &#8220;No caminho das altas ci\u00eancias, n\u00e3o conv\u00e9m empenhar-se temerariamente, mas, uma vez em caminho, \u00e9 preciso chegar ou perecer. Duvidar \u00e9 ficar louco, parar \u00e9 cair; voltar para tr\u00e1s \u00e9 precipitar-se num abismo&#8221;. Portanto, podemos dizer ao leitor dessas linhas, que toda e qualquer pasteuriza\u00e7\u00e3o, cujo sentido \u00e9 suavizar o caminho do magista iniciante, \u00e9 um grande engano e s\u00f3 pode conduzir ao erro e ao desesp\u00earo, causando sem d\u00favida danos irrepar\u00e1veis ao estudante incauto.<br \/>\nA estes, s\u00f3 podemos lamentar, pois o caminho tra\u00e7ado ser\u00e1 o da auto-destrui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNos sistemas inici\u00e1ticos orientais, como a alquimia tao\u00edsta, o que separa o iniciante do mestre \u00e9 apenas o empenho e a perfei\u00e7\u00e3o adquiridas pela pr\u00e1tica consistente. O termo &#8220;Kung Fu&#8221; n\u00e3o se refere como muitos pensam a uma arte marcial, mas pode ser traduzido mais acertadamente como &#8220;habilidade adquirida pelo trabalho e esfor\u00e7o por um longo tempo&#8221;. No caso do Qigong (Qi &#8211; energia, Gong &#8211; trabalho, portanto, trabalho de energia) ou no Tai Chi Chuan (Arte do Punho Supremo), os movimentos que o iniciante pratica e que o mestre pratica s\u00e3o exatamente os mesmos. Por\u00e9m, o mestre que pratica por muitos anos a fio, por longos per\u00edodos di\u00e1rios, come\u00e7a a ser ensinado pela pr\u00f3pria energia (Qi).<br \/>\nNo Ocidente aprendemos desde o final do s\u00e9c. XIX e o in\u00edcio do s\u00e9c. XX, a cultivar a mente se sobrepondo \u00e0s demais habilidades inerentes ao ser humano. Por\u00e9m, devemos sempre lembrar que somos um ser de m\u00faltipla exist\u00eancia: corpo, mente e esp\u00edrito. Valorizar um desvalorizando o outro, equivale a tentar matar a fome lendo o card\u00e1pio do restaurante. A mera compreens\u00e3o intelectual de determinado conhecimento n\u00e3o traz sabedoria ou controle. Traz apenas entendimento. E entender nem sempre nos habilita a dominar o objeto de estudo. Por exemplo: ler sobre viol\u00e3o n\u00e3o o torna um ex\u00edmio instrumentista. Para ser um instrumentista \u00e9 preciso pr\u00e1ticar por muito tempo. Ou tratamos todas as partes de forma \u00fanica, ou atrairemos sobre n\u00f3s o desequil\u00edbrio das demais partes que constituem nosso ser.<br \/>\nAntes de revelar aquilo que n\u00e3o pode ser revelado sem se tornar leviano, \u00e9 melhor calar no presente momento, deixando aqui um espa\u00e7o para o leitor tirar suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es e avaliar que caminho tem trilhado na sua pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>PS: os citados textos podem ser encontrados em www.cih.org.br<\/p>\n<p>Em L.L.L.L.,<br \/>\nFrater Goya<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em se tratando de magia, n\u00e3o existem caminhos f\u00e1ceis. As ben\u00e7\u00e3os nem sempre s\u00e3o proporcionais \u00e0s ord\u00e1lias. Isso ocorre pq o tapa marca mais que o beijo. 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