{"id":247,"date":"2013-07-10T09:44:35","date_gmt":"2013-07-10T12:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=247"},"modified":"2013-07-10T11:15:54","modified_gmt":"2013-07-10T14:15:54","slug":"alguem-ainda-estuda-crowley","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grimorio.cih.org.br\/?p=247","title":{"rendered":"Algu\u00e9m ainda estuda Crowley?"},"content":{"rendered":"<div>Estudo e pratico magia h\u00e1 34 anos. Isso \u00e9 quase 3\/4 do tempo que estou vivo neste momento. Ent\u00e3o, j\u00e1 vi de todos os tipos de pessoas buscarem o aprendizado da magia. Em 1991, ofereci no Consult\u00f3rio de Astrologia do qual era s\u00f3cio na ocasi\u00e3o um curso de magia. No cartaz, inclu\u00ed a famosa defini\u00e7\u00e3o dada por Crowley: &#8220;MAGIA \u00e9 a Arte ou Ci\u00eancia de causar mudan\u00e7as de acordo com a Vontade.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nessa \u00e9poca, Paulo Coelho estava no auge da fama dos seus livros, e Brida ainda estava rec\u00e9m sa\u00eddo do forno. Ent\u00e3o, estudar astrologia, tarot, magia eram coisas &#8216;in&#8217;. Todo mundo que queria estar na crista da onda andava com um livro do Paulo Coelho na m\u00e3o, e livros de auto-ajuda na outra. O consult\u00f3rio tinha um movimento bom: pessoas fazendo mapa astral, lendo tarot, t\u00ednhamos cursos\u00a0regulares de astrologia, tarot, runas, e trouxemos o Olavo de Carvalho com a Astrocaracterologia pra Curitiba pela primeira vez. Posso \u00a0dizer, avaliando \u00e0 dist\u00e2ncia, que fizemos um trabalho inovador na ocasi\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Antes de continuar a hist\u00f3ria do curso, preciso explicar o que aconteceu antes disso: Como j\u00e1 disse outro dia em \u00a0uma entrevista, livros de magia eram dif\u00edceis de se encontrar, e se fosse algo diferente de Papus, Levi e Blavatsky, da\u00ed a tarefa era quase imposs\u00edvel. Golden Dawn e Crowley eram materiais que apareciam raramente. Lembrando que n\u00e3o havia internet, e Marcelo Motta, Euclydes Lacerda e cia, eram do Rio de Janeiro, ent\u00e3o se voc\u00ea n\u00e3o tivesse algu\u00e9m que os apresentasse, n\u00e3o saberia da exist\u00eancia deles em outros estados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em Curitiba no geral, quem j\u00e1 tinha ouvido falar de Crowley era o pessoal do Osho\/Pulsation, que usava o Tarot de Crowley pelo seu \u00a0lado t\u00e2ntrico, estudando pelo livro do Zigler (Tarot, o Espelho da Alma), muito disseminado pela turma do Vivarta, que eu conheci em 1986, quando tive o primeiro contato com o Tarot de Crowley.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>At\u00e9 ent\u00e3o (1986), minha vis\u00e3o de Crowley era baseada no que diziam dele e isso quer dizer que era totalmente contra o &#8220;Pior Homem do Mundo&#8221;. Quando me mostraram o Tarot de Thoth, eu percebi que ele havia colocado ali todo o conhecimento que possu\u00eda de magia. Comprei um Tarot de Thoth, e decidi entender o trabalho desse sujeito que eu tinha em t\u00e3o baixa conta. Comecei a buscar e encomendar livros de fora do Brasil, em espanhol e ingl\u00eas, pois nada havia traduzido. E foi assim, tentando entender Crowley, para critic\u00e1-lo, que comecei a estudar Thelema. E fazendo isso, n\u00e3o apenas comecei a entende-lo melhor, como a perceber que poucos autores no s\u00e9culo XX tiveram uma produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante para contribuir com a compreens\u00e3o do pensamento m\u00e1gico de nossa \u00e9poca. De cr\u00edtico, passei a contribuir com a divulga\u00e7\u00e3o de Thelema.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Voltamos agora ao curso do in\u00edcio do artigo&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na data marcada, uma segunda-feira, eu tinha 20 alunos inscritos para o curso. Assim que me apresentei e comecei a aula, uma das alunas levantou a m\u00e3o e pediu se podia fazer uma pergunta. &#8220;Claro, respondi&#8221;. &#8220;Eu e minha colega nos matriculamos neste curso, porque somos leitoras do Paulo Coelho, e aprendemos com ele, que \u00e9 um mago s\u00e9rio, que Crowley era a Besta. Ent\u00e3o gostar\u00edamos de saber se neste curso o senhor vai nos obrigar a fazer algum tipo de pacto ou algo de sat\u00e2nico, porque neste caso, ir\u00edamos abandonar o curso&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Bem, respondi, este \u00e9 um curso de magia tradicional, ou magia cl\u00e1ssica (teurgia, qabalah, astrologia, blablabla), ent\u00e3o veremos v\u00e1rios temas, mas n\u00e3o me lembro de ter colocado a obrigatoriedade de vender a alma na hora da matr\u00edcula. Portanto, a senhora e sua amiga est\u00e3o a salvo pelo menos por enquanto. Uma curiosidade: Voc\u00eas j\u00e1 leram Crowley? (N\u00e3o&#8230;)- J\u00e1 estudaram alguma coisa dele?<\/div>\n<div>(N\u00e3o&#8230;) &#8211; Ent\u00e3o o \u00fanico referencial sobre ele s\u00e3o os coment\u00e1rios do Paulo Coelho? (Sim&#8230;) Ent\u00e3o, acredito senhoras, que antes de criticar algu\u00e9m, primeiro tentem conhecer quem \u00e9 e o que fez. Talvez isso no futuro seja algo de bom pra voc\u00eas&#8221;. Bem, basta dizer que ambas continuaram no curso, e tiveram uma mudan\u00e7a radical no seu ponto de vista.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E essa foi apenas uma parte do que pretendo comentar aqui a respeito de Crowley e de Thelema.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Crowley, por natureza, possui uma personalidade do tipo ame-o ou deixe-o. Pessoas que tiveram conv\u00edvio com ele deram testemunho suficiente a respeito. H\u00e1 uma entrevista de Israel Regardie a Christopher Hyatt em que ele cita tal aspecto. Logo, n\u00e3o me espanta que pessoas que nunca tiveram contato direto com o material escrito por ele, ou conheceram-no apenas pelo Liber Oz, tenham uma vis\u00e3o truncada, parcial e preconceituosa. Mas o que realmente me espanta, s\u00e3o os coment\u00e1rios de pseudo-ocultistas, que o criticam baseados em conhecimentos parciais e superficiais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em tempos de internet, conhecimento superficial, pseudo-abrangente e r\u00e1pido. Todo mundo se acha um grande magista porque tem um HD de 2 terabytes entupido com tudo aquilo que a humanidade produziu nos \u00faltimos 5 mil anos de magia. No entanto, o que essas pessoas esquecem \u00e9 o mais simples: conhecimento \u00e9 poder, mas conhecimento n\u00e3o significa ter prateleiras cheias de livros n\u00e3o lidos, lidos pela metade ou pelas orelhas. Conhecimento corresponde a saber acumulado. E Abraham Lincoln j\u00e1 dizia:&#8221;Muito deve-se ler, muito deve-se esquecer, o que restar, \u00e9 cultura&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Qualquer pessoa hoje em dia, com um QI um pouco maior que o de uma samambaia, sabe fazer downloads e sabe fazer buscas pelo google.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas o que nem todos sabem, \u00e9 o que fazer com toda informa\u00e7\u00e3o obtida. Crowley e Mathers na sua \u00e9poca, tinha acesso o uma informa\u00e7\u00e3o muito mais restrita do que temos hoje em dia. Sua pesquisa era baseada em livros ou registros que podiam por as m\u00e3os, ou bibliotecas e museus que pudessem ter acesso. Hoje em dia, os pseudos magistas tem acesso a tudo, mas n\u00e3o se apropriam de nada. Sabem de tudo, menos da sua pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Da\u00ed colocam-se a falar, ou melhor, a cuspir seu conhecimento ultra-acumulado de 6 meses de navega\u00e7\u00e3o madrugueira, posando-se de guardi\u00f5es de um conhecimento inacess\u00edvel (desde que n\u00e3o se digite uma palavra no google, ou a caixa de pandora ser\u00e1 aberta e seus dem\u00f4nios revelados) &#8211; \u00d3 Internet, teu nome \u00e9 Choronzon&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E possuidores dessa petul\u00e2ncia que faz a pior espiga de milho ser aquela mais atrevida olhando o c\u00e9u de frente (a mais carregada se curva \u00e0 terra, sua m\u00e3e), essas gralhas do conhecimento, grasnam: &#8220;Crowley est\u00e1 morto, chutai o cachorro morto!!!&#8221;- Enquanto escondidos, olham apaixonados \u00e0 foto de Crowley dizendo: Eu sou sua reencarna\u00e7\u00e3o. S\u00f3 posso lamentar, pois eles n\u00e3o entendem a diferen\u00e7a de ser &#8220;A Besta&#8221; e ser &#8220;Uma Besta&#8221; (deviam enxergar isso ao se perceberem de quatro patas). Eles dizem: Quem estuda Crowley?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Crowley est\u00e1 ultrapassado!&#8221; &#8211; Mas esquecem que n\u00e3o passam de pobres diabos falando mal do cafet\u00e3o do inferno. Seria mais s\u00e1bio se tivessem aprendido algo com o velho careca.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas pelo menos percebo que hoje em dia, nossos pequenos aprendizes de feiticeiro conseguiram uma realiza\u00e7\u00e3o muito maior que Crowley ou Mathers na sua \u00e9poca. Conseguiram transferir sua mente e seu esp\u00edrito a esse lugar, casa do abstrato, chamado internet. No entanto, o que eles n\u00e3o percebem, \u00e9 que, como Alice, est\u00e3o presos agora do &#8220;Outro Lado do Espelho&#8221;. Aconselho a eles que, antes de atravessarem o deserto do real, d\u00eaem mais uma estudada na bibliografia do Liber E, e talvez percebam que diferente deles, Crowley j\u00e1 havia trilhado este caminho. E diferente deles, ele voltou. Eles no entanto, nos fitam do lado de l\u00e1 do brilhante portal, sonhando como seria bom estar livres da sua pr\u00f3pria assombra\u00e7\u00e3o&#8230;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo e pratico magia h\u00e1 34 anos. Isso \u00e9 quase 3\/4 do tempo que estou vivo neste momento. Ent\u00e3o, j\u00e1 vi de todos os tipos de pessoas buscarem o aprendizado da magia. Em 1991, ofereci no Consult\u00f3rio de Astrologia do qual era s\u00f3cio na ocasi\u00e3o um curso de magia. 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